Distúrbios do Sono e Má Oclusão

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Estudos apontam que a oclusão dentária influencia a posição da mandíbula, que por sua vez tem íntima relação com a articulação temporomandibular. Em razão da necessidade de um melhor encaixe dos dentes e do conforto articular, podemos afirmar que a má-oclusão está diretamente envolvida com disfunções articulares temporomandibulares (DTMs) e com distúrbios do sono.

Dormir bem é uma necessidade biológica, está diretamente ligada à qualidade de vida do ser humano. O período de repouso é essencial, pois enquanto dormimos, o organismo realiza funções como fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios, consolidação da memória, revitaliza e recupera todo o organismo.

Estudos apontam que mais de 40% da população brasileira apresenta algum distúrbio ligado ao sono.

Dentre os vários motivos associados a má qualidade do sono, pode-se destacar os fatores otorrinolaringológicos ou odontológicos, alimentação inadequada, uso de drogas lícitas ou ilícitas, sedentarismo, problemas de ordem psicossocial como o estresse, excesso de trabalho, jornadas duplas, falta de rotina, problemas financeiros, familiares, ritmo de vida acelerado, são fatores corriqueiros presentes na sociedade atual.

As consequências de um sono de má qualidade vão desde do estresse e ansiedade, a curto prazo, a complicações cardiovasculares após alguns anos. A hipertensão arterial, diabetes, obesidade, envelhecimento precoce, doenças infecciosas, dificuldades de aprendizagem e memorização estão relacionados à privação do sono.

A apneia ou hipopneia são distúrbios do sono considerados um problema de saúde pública, por aumentar a mortalidade cardiovascular e os acidentes de trânsito. Caracteriza-se por episódios recorrentes de obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono.

O fluxo aéreo é diminuído na hipopneia ou completamente interrompido na apneia, a despeito do esforço respiratório, causando diminuição da oferta de oxigênio ao organismo que para se manter vivo tem que se acordar para voltar a respirar, levando à privação de sono.

Apresenta como sinais e sintomas o ronco, a interrupção da respiração de forma intermitente durante o sono, levando ou não a interrupção do sono, agitação ao dormir, sensação de sufocamento ao despertar, sonolência excessiva diurna, por conta da má qualidade do sono, impotência sexual, cefaleia, irritabilidade, depressão e ansiedade.

Os fatores que predispõem à síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono são: obesidade, sexo masculino, alterações craniofaciais (ex. queixo pequeno, língua grande), aumento do tamanho das tonsilas palatinas e faríngeas (amígdalas e adenóide), aumento da circunferência cervical, obstrução nasal, familiares com história de ronco e apneia do sono, anormalidades endócrinas (ex. doenças da tireóide e acromegalia), uso de álcool, tabagismo, uso de calmantes, cansaço excessivo e idade avançada.

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Outro distúrbio do sono está associado ao hábito involuntário de apertar e ranger dos dentes enquanto se dorme, caracterizando o bruxismo do sono, parafunção que aplica forças excessivas sobre a musculatura mastigatória.

De causa ainda obscura, costuma ser exacerbado pelo estresse, ansiedade e eventualmente problemas neurológicos. Durante os episódios, a força realizada sobre a musculatura e os dentes é excessiva podendo causar: dor facial, desconforto muscular principalmente ao morder, dor de cabeça, desgaste dos dentes e danos à gengiva.

O sintoma mais comum é o desgaste do esmalte dos dentes, por isso é na maioria das vezes diagnosticado pelo dentista.

Como entender a relação entre a má-oclusão dentária, as disfunções articulares temporomandibulares e os distúrbios do sono?

Estudos apontam que a má-oclusão dentária influencia a posição da mandíbula, que por sua vez tem íntima relação com a articulação temporomandibular. Em razão da necessidade de um melhor encaixe dos dentes e do conforto articular, podemos afirmar que a má-oclusão está diretamente envolvida com disfunções articulares temporomandibulares (DTMs) e com distúrbios do sono.

Um maior contato da superfície oclusal dos dentes superiores e inferiores fora do padrão funcional da oclusão, pode trazer danos aos dentes.

Ocasionando contatos prematuros e fraturas, retrações gengivais, reabsorção óssea, dores musculares e miofasciais, doenças da coluna, desigualdades de comprimento de pernas, postura incorreta da cabeça, rompimento e estiramento dos ligamentos e alterações nas estruturas articulares; sobretudo diante de um hábito parafuncional, tal como o bruxismo, o hábito de apertar ou ranger os dentes.

As causas do bruxismo do sono são multifatoriais e ainda pouco conhecidas. A má oclusão dentária, a busca constante do organismo pelo contato dentário mais satisfatório, as tensões emocionais podem estar relacionadas a este distúrbio.

Inevitavelmente  pode desencadear dores de cabeça irradiadas e/ou dores projetadas no corpo. O ruído característico do ranger dos dentes, desgaste dentário, hipertrofia dos músculos mastigatórios e temporais, dores de cabeça, disfunção da articulação temporomandibular, má qualidade de sono e sonolência diurna estão entre as principais manifestações clínicas do bruxismo do sono.

O diagnóstico é feito pela observação de um desgaste dentário anormal, ruídos de ranger de dentes durante o sono e desconforto muscular mandibular.

A polissonografia registra os episódios de ranger dos dentes, permitindo identificar alterações do sono e microdespertares.

O tratamento deve ser individualizado, multidisciplinar e integrado.

Como o bruxismo do sono tem causas variadas, o tratamento também segue na mesma direção. Estudo evidencia que a contribuição do estresse psicossocial na etiologia do bruxismo não pode ser negligenciada e, que o tratamento cognitivo e comportamental, incluindo alterações no estilo de vida, podem ser benéficos.

A indicação do uso de dispositivos intraorais (placas de mordida ou miorrelaxantes) visa não só a proteção dos dentes prevenindo o desgaste dentário ou fraturas durante o sono.

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Dispositivos intra orais

Como também, conduzir ao posicionamento correto do côndilo, que por sua vez, reduzirá a hipertonicidade muscular, estimulada outrora pelo apertamento dentário, amortizando, desta forma, as dores na ATM, de cabeça e em outras partes do corpo.

Faz-se necessário uma abordagem psicoterápica, fisioterapêutica, odontológica, farmacológica e suas combinações, de acordo com o perfil do paciente.

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Assim a odontologia não se restringe a tratar apenas os dentes. Um exemplo muito evidente da influência da oclusão dentária na origem das DTMs e na baixa qualidade de sono pode estar relacionada a posição mandibular.

A retrusão mandibular, influenciada pela verticalização dos incisivos, produz uma compressão da parede posterior da cavidade articular do osso temporal, uma região altamente inervada e vascularizada, acionando e sensibilizando a via da dor.

Além disso, a retrusão mandibular é uma das principais causas do ronco e da apnéia obstrutiva do sono. Em função dessas informações, pode-se afirmar que o tratamento das DTMs e dos distúrbios do sono é multidisciplinar.

A odontologia integrativa não está preocupada somente com a estética, mas com a função do sistema estomatognático e a qualidade de vida de um ser humano, física e emocional. Assim, o ideal para o tratamento de pacientes que possuem distúrbios do sono e problemas oclusais é o trabalho integrado entre os profissionais da saúde, visando sanar a causa, não apenas tratar os sintomas.

Essa é a proposta do Conceito SIn! Trazer o paciente para o centro da atenção! Permitir a troca de experiência de fisioterapeutas, dentistas, psicólogos, médicos, nutricionistas dentre outros profissionais de saúde, para beneficiar sempre o paciente com um atendimento integrativo. Quer participar do maior e mais completo programa de treinamentos para profissionais da saúde? Clique aqui!

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