Dor Miofascial: Como Explicar?

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A dor miofascial é extremamente comum em consultórios de fisioterapia, reumatologia e ortopedia. A etiologia ainda é incerta. Alguns estudos sugerem uma origem central enquanto outros defendem uma origem periférica. Já existem evidências de que a sensibilização do sistema nervoso central e a hiperalgesia seja a soma temporal da dor em uma área específica do cérebro. Outra hipótese sugere um processamento facilitado de mensagens de dor no sistema nervoso central, talvez manifestada por reorganização neural no cérebro, tronco cerebral e da medula espinhal.

A teoria periférica sugere, em contrapartida, que a dor miofascial seja devida a uma alteração da inervação ou da estimulação do nervo envolvido na musculatura ou na fáscia. Esta teoria baseia-se na hipótese de que a fáscia poderia ser considerada como um órgão proprioceptivo, e que pode ser alterada por trauma, cirurgia e/ou excesso de uso.

Está bem demonstrado que a fáscia é rica em inervação, incluindo proprioceptores, bem como uma abundante rede vascular e linfática. É aqui que os modelos puramente mecânicos começam demonstrar certo grau de fragilidade.

A literatura procura, a todo o instante, apontar um vilão. Entretanto, as disfunções corporais devem ser apresentadas em um escopo de disfunções multifatoriais. O grau de intoxicação e de inflamação do corpo responde, na maior parte das vezes, a um fenômeno global e raramente local.

As camadas de tecido conjuntivo frouxo separam diferentes estruturas. Sabe-se que este tecido é um importante reservatório de água e os ions para os tecidos circundantes. Ele também pode funcionar como um reservatório para acumular e remover os vários produtos de degradação e substâncias tóxicas.

Analisando a estrutura da fáscia profunda constata-se que esta é formada por duas a três camadas de fibras de colágeno. Todas densamente empacotadas, em conjunto com algumas fibras elásticas dispersas. Uma camada de tecido conjuntivo frouxo estava presente entre essas camadas fibrosas.

O objetivo do artigo aqui apresentado foi examinar de perto estas camadas de tecido conjuntivo frouxo encontradas dentro fáscia profunda e, em especial, avaliar a distribuição de ácido hialurônico (AH) em associação com estas estruturas.

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O AH tem uma ampla variedade de funções no corpo. Age como um amortecedor de choques (fluido sinovial), um agente de fornecimento de turgescência e de enchimento do espaço do tecido (os fluidos aquosos das câmaras anterior e posterior do olho), como um agente protetor para evitar a compressão vascular, como um lubrificante e como um escudo de proteção.

O AH entre a fáscia e os feixes musculares e a sua presença difundida no perimísio e endomísio pode proporcionar planos de movimento potencial, e parece funcionar assim como um importante lubrificante.

Dados sugerem que não existem grandes variações na espessura das camadas fasciais entre os pacientes e que nem existem grandes diferenças na histologia.

A retenção de AH após o exercício, em combinação com uma localização endomisial apóia o conceito de que o AH não só lubrifica, mas também facilita os movimentos entre as fibras musculares.

Assim, sabe-se que o AH é um dos elementos mais importantes que determina a viscoelasticidade de um tecido. Sua presença importante dentro da fáscia pode nos permitir supor que a sua alteração pode modificar a ativação dos receptores dentro da fáscia. Esta poderia ser a origem do fenômeno comum de dor miofascial.

 

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